O perfume de Sangiovese fermentado já se percebe na entrada da La Bottega del Chianti Classico, uma das enotecas históricas de Greve in Chianti, vila medieval situada a cerca de 27 quilômetros ao sul de Florença ao longo da Via Chiantigiana. Aqui, na praça trapezoidal coberta que constitui o coração do país, encontra-se um dos pontos de referência para quem deseja se aproximar do mundo do Chianti Classico DOCG, a denominação que identifica os vinhos produzidos na zona histórica entre Florença e Siena.
Greve in Chianti é considerada a capital informal do Chianti Classico, e sua posição geográfica reflete bem a natureza deste território: colinas entre 250 e 600 metros de altitude, solos argilosos e calcários conhecidos como alberese e galestro, variações térmicas entre dia e noite que favorecem a maturação lenta e aromática das uvas. O Sangiovese, variedade autóctone toscana, representa por regulamento pelo menos 80% da composição do Chianti Classico, e nesta bottega é possível comparar expressões muito diferentes da mesma variedade, dependendo da altitude e da exposição do vinhedo.
O Chianti Classico e suas categorias
A denominação Chianti Classico se articula em três níveis qualitativos que é útil conhecer antes de entrar em uma enoteca como esta. O Chianti Classico base requer um envelhecimento mínimo de 12 meses; o Riserva sobe para 24 meses, dos quais pelo menos 3 em garrafa; a Gran Selezione, introduzida oficialmente em 2014, prevê um mínimo de 30 meses de afinamento e deve provir de uma única vinhedo ou de uma seleção das melhores uvas da propriedade. Degustar esses três níveis em sequência permite perceber concretamente como o tempo e a seleção transformam a mesma variedade de uva.
No paladar, um Chianti Classico jovem se apresenta com taninos vivos, acidez marcante e notas de cereja fresca e violeta. O Riserva tende a mostrar maior complexidade, com nuances de tabaco, couro e especiarias doces. A Gran Selezione, nas melhores safras, desenvolve uma estrutura tânica sedosa e uma persistência aromática que pode superar os 30 segundos. Estes não são detalhes abstratos: são diferenças perceptíveis até mesmo por um degustador não experiente, simplesmente prestando atenção.
As propriedades históricas da região
A poucos quilômetros de Greve encontram-se algumas das vinícolas mais reconhecíveis do Chianti Classico. Antinori no Chianti Classico, em Bargino, é uma estrutura projetada pelo escritório de arquitetura Archea Associati e inaugurada em 2012: o edifício está literalmente incrustado na colina, com terraços em espiral que se estendem sobre a vinícola como se a paisagem não tivesse sido interrompida. A visita inclui a vinícola de vinificação, as barricas e um museu dedicado à história da família Antinori, que produz vinho desde 1385.
Outras propriedades históricas da região incluem Castello di Verrazzano, ligado à família do navegador Giovanni da Verrazzano, e Badia a Passignano, uma abadia beneditina do século XI cujos vinhedos circundantes são hoje geridos sempre pela família Antinori. Essas propriedades oferecem passeios com degustação, geralmente com reserva, com preços que variam entre 25 e 60 euros por pessoa, dependendo do percurso escolhido.
O que esperar da degustação na loja
Dentro da La Bottega del Chianti Classico é possível comprar garrafas de produtores locais e frequentemente degustar vinhos por taça. A seleção abrange toda a denominação, desde produtores artesanais com algumas milhares de garrafas anuais até grandes propriedades. Uma taça de Chianti Classico básico geralmente custa entre 4 e 7 euros, enquanto para uma Gran Selezione pode-se chegar a 12-18 euros por taça. É uma forma de comparar vários produtores sem precisar visitar cada vinícola individualmente.
Vale a pena perguntar ao pessoal para indicar as diferenças entre as diferentes Unidades Geográficas Adicionais (UGA), as subzonas do Chianti Classico introduzidas a partir da colheita de 2010 e oficializadas no rótulo a partir de 2014. As onze UGA — incluindo Panzano, Lamole, Montefioralle e San Casciano — correspondem a microterroirs com características geológicas e climáticas distintas, e representam a tentativa da denominação de mapear com precisão as diferenças internas do território.
Dicas práticas para a visita
O melhor momento para visitar Greve in Chianti é a segunda semana de setembro, quando ocorre a Rassegna del Chianti Classico, uma manifestação anual que permite degustar vinhos diretamente dos produtores na praça do vilarejo. Fora desse período, os finais de semana de outubro oferecem a possibilidade de ver a colheita em andamento nas vinhas circundantes, uma experiência visual difícil de replicar em outros momentos do ano.
Para chegar a Greve a partir de Florença sem carro, está disponível um serviço de ônibus SITA que conecta a estação de Santa Maria Novella ao vilarejo em cerca de 50 minutos. Se você planeja visitar mais de uma vinícola no mesmo dia, é aconselhável reservar com antecedência e designar um motorista não degustador no grupo, pois as estradas sinuosas da região são estreitas e tortuosas. Evite planejar visitas às vinícolas na segunda-feira, dia em que muitas instalações permanecem fechadas para descanso semanal.